Desvirtualizando o Aprendizado

Precisamos “desvirtualizar” nossas vidas… e é pra ontem.Há algum tempo algo vem pesando no meu coração e incomodando a minha consciência… e depois de muita resistência e relutância, decidi abrir minhas mãos e aceitar que Deus retirasse de mim o bichinho de estimação que com muito amor eu criei: a dependência virtual. 

No século em que nos encontramos, somos rodeados de muita tecnologia e modernidades no geral (o que, em si, não é mau). Porém, em algum momento da história, nós perdemos o fio da meada. 

A necessidade de marcar presença no mundo virtual, por exemplo, têm sugado as nossas energias: precisamos mostrar aos nossos seguidores que estamos bem, felizes e que tudo está dando certo conosco. Estranhamente não conseguimos mais viver a vida no anonimato, sem expô-la para centenas de desconhecidos nas nossas redes sociais. 

A consequência é essa: realizamos nossas atividades não mais com um espírito sincero e espontâneo, mas de forma premeditada para serem postadas online. 

No âmbito teológico, o que nos motiva não é um desejo genuíno por aprendizado, mas um desejo intencional por visibilidade e reconhecimento. 

Nossas leituras não desembocam em aplicação na vida prática, mas restringem-se a postagens em blogs na internet. 

Nossos livros, ao final, não servem ao propósito que possuem: mudam nossa percepção, mas não afetam nosso modo de viver. De que adianta, então?

Logamos diariamente no Instagram e no Facebook para passarmos o olho em informações rápidas, porque (convenientemente) temos preguiça de consumir alimentos sólidos… pois eles tomam nosso tempo e exigem muito do nosso intelecto. 

Nossa espiritualidade é construída na areia. Nadamos nas águas rasas da “teologia-virtual-que-nos-toma-apenas-5-minutos”.

Temos acesso a vastos e ricos conteúdos… mas nos recusamos a sermos afetados por eles.

Caminhamos a passos largos para o inferno, junto com nossos livros de teologia e nosso conhecimento acumulado mas não aplicado… só exibido.

Estou farta, cansada, enojada dessa vida cristã fajuta e fingida. 

Viver o cristianismo anonimamente, fora do alcance da estima dos homens… é isso que almejo e preciso; é o que minha alma grita agora.

Andressa Pécora 09/07/2017

Mansidão e Paciência 

Hoje eu gostaria de compartilhar com vocês que algo vem sendo tratado em mim de forma constante e intensa.Refiro-me à mansidão, à paciência, ao amor ao próximo. Acredito que todas nós somos perturbadas pela falta destas qualidades em nossas vidas práticas. 

Na teoria tudo se encaixa, e nos enchemos da certeza de que iremos conseguir agir como devemos… até que pisamos o pé na rua e surgem as situações e pessoas que despertam a nossa pior versão, o nosso lado mais obscuro. 

Como ser mansa? Como responder em amor? Somos acometidas, então, por um choque de realidade: sozinhas não conseguiremos. 

E é exatamente isso que precisamos ter em mente antes de qualquer coisa: pela força do nosso braço não é possível vencer a nossa natureza pecaminosa. Não tente fazer isso por si mesma, apenas para sentir a gostosa (e falsa) sensação da autossuficiência. Você vai falhar!

Busque forças nAquele que pode te capacitar a agir de forma pura e irrepreensível, e remeta-se a Ele no decorrer do seu dia a dia. 

  • Quando for tentada a retribuir grosseria com grosseria: pense nEle. 
  • Quando for tentada a transformar um desentendimento simples em uma briga comprada: pense nEle. 
  • Quando for tentada a descontar seus problemas pessoais naqueles ao seu redor: pense nEle.
  • Quando for tentada a ter má vontade para fazer algo para alguém que não seja você mesma, realizando as tarefas relapsa e impacientemente: pense nEle.
  • Quando for tentada a reclamar e fechar a cara sempre que as coisas não saem como você quer, ou quando alguém não faz o que você pede: pense nEle. 

Lute contra o seu maldito orgulho e repita a si mesma: “eu não sou o centro do universo”.

Bom, o que quero transmitir é o seguinte: as circunstâncias apenas revelam quem você é verdadeiramente. Situações de stress colocam em evidência o seu coração, o seu eu. 

A culpa não é do outro que provocou, a culpa é sua que não soube responder adequadamente. Entende o que quero dizer?! Assuma a responsabilidade e empenhe-se em agir diferente. 

Lembre-se que todo ato seu é praticado na presença dAquele que irá nos julgar… e assim você (e eu) podemos (finalmente) ser mulheres mansas, pacíficas e amorosas com aqueles que são o oposto conosco.

Andressa Pécora – 05/07/2017

Às Minhas Amigas Solteiras 

Hoje eu quero falar com vocês, minhas queridas amigas solteiras. Muitas vezes, devido às exigências do mundo (e de pessoas próximas e amadas por nós), deixamo-nos levar pelo falso (e nocivo) discurso de que precisamos de um namorado para nos sentirmos completas, felizes e realizadas. Alguns chegam a dizer que apenas quando encontramos um par romântico é que as coisas realmente “deram certo” pra nós. É como se a vida só começasse “pra valer” no casamento. Somos bombardeadas com filmes de romances, músicas seculares, propagandas na TV e amigas nos sugerindo o tempo inteiro que não podemos ser mulheres satisfeitas, contentes e SOLTEIRAS. Isso, solteiras (essa palavra te incomoda?).

Gradual e silenciosamente isso vai nos deixando angustiadas e pesarosas, até que cedemos a essa “atmosfera de deificação do amor romântico”. E adivinhem? O resultado é desastroso: nos vemos gastando tempo e energias, comprometidas e subjugadas a “caçar o nosso amor”. Começamos a enxergar todos os nossos amigos e irmãos como namorados em potencial, e, de certo, deixamos de nutrir amizades saudáveis, sinceras e duradouras com os rapazes para vivenciarmos um ciclo infindo de “expectativa amorosa” e “quase-compromissos”. Acabamos frustradas e machucadas (e poderia ser diferente?).

Transformamos nossa aprazível peregrinação em um penoso e interminável labirinto: o único objetivo é encontrar a “outra metade da laranja”.

Minhas queridas amigas, não permitam que nada e nem ninguém sufoque as revigorantes palavras das Escrituras: a Graça de Cristo nos basta (2 Cor 12.9).

A sua solteirice é um presente, não um fardo. Use-a para obedecer e servir a Deus da forma peculiar e especial que é inerente a esta fase da sua vida. Desprendida das preocupações específicas de um relacionamento e das paixões que não raro embaraçam sua visão, você é livre pra se dedicar exclusivamente Àquele que te salvou. 

Não desperdice sua vida procurando pelo que você não tem e não precisa agora (Ct 8.4; Ec 3.1). Não presuma o seu futuro; viva o agora, com prazer e alegria. Dessa forma, no lugar de maximizar e potencializar suas carências emocionais passageiras, você estará priorizando e glorificando o Único que importa.

Andressa Pécora – 29/06/2017

A Bela e a Fera

Não. Não vou assistir “A Bela e a Fera” e nem os outros sucessos de bilheteria subsequentes.Entristecermos-nos com a ausência de Deus nos filmes hollywoodianos, fecharmos os olhos nas partes ruins ou sairmos do filme bradando a nós mesmos que o que vimos é errado e pecaminoso… não passa de paliativos inúteis que usamos para mascarar nosso apego e afeição pelo mundo.

Se eu odeio o pecado, não pagarei para assisti-lo na tela no cinema; tão simples como andar pra frente. 

Se eu amo o Deus que eu sirvo, não me reunirei com minhas amigas para assistir o produtor do filme zombar da minha fé ao rechaçar a seriedade do pecado após o ator principal o ter encenado com uma música de fundo estrategicamente pensada para fazê-lo parecer normal e aceitável.

Enganamo-nos quando nos escandalizamos com o escrachado e baixamos a guarda com o sutil.

O pecado transmitido com sutileza cauteriza mentes e cala consciências com a mesma sutileza. Deveríamos temer os prejuízos a longo prazo que o “desapercebido” nos causa, ao invés de presumirmos tolamente que somos sabidos o suficiente para não sermos atingidos pelo mal. 

Não. Não há justificativas para que eu caminhe com meus próprios pés até um local aonde os pecados pelos quais Cristo morreu estarão sendo transmitidos como “meros detalhes”. Não é positivo que as pessoas “nem sequer notem” que houve uma cena gay ou um adultério. Isso só nos mostra uma triste realidade: nós não somos sensíveis ao pecado; não percebemos sua monstruosidade, não o reconhecemos e o odiamos com a rapidez e prontidão que deveríamos. E os filmes seculares (em sua maioria) só fazem estimular que as coisas continuem da forma como estão.

Tendo enfoque ou ficando em segundo plano, o pecado não deixa de ter potencial destrutivo. 

Não nos conformemos com este mundo, meus queridos irmãos (Rm 12.2).

Judas traiu Jesus por 30 moedas; vamos nós traí-lo por entretenimento?

Andressa Pécora – 23/03/2017

Atividades Cotidianas

Hoje eu consigo enxergar a beleza que há em lavar a louça, arrumar a casa, cozinhar, passar a roupa…

São coisas tão cotidianas e com as quais estamos tão familiarizados (é uma realidade presente desde sempre dentro de nossas casas), que o encanto se perdeu. Não conseguimos mais notar a importância dos afazeres domésticos, e sequer pensamos neles como atos que, se realizados com contentamento, honram a Deus. A história de Rebeca (Gênesis 24:12-27) é inspiradora. Ela ia todos os dias encher jarros de água para levar pra sua família. Era um trabalho secular e “sem graça”, porém, Rebeca não deixava de fazê-lo sequer 1 dia, e fazia com alegria (vemos isso em Gênesis 24:17-20, através da sua compaixão e vontade de servir. O servo de Abraão não a encontrou mal humorada ou desgostosa). O fato dela não se rebelar contra a sua atividade cotidiana a colocou na ocasião onde Deus a abençoou fazendo-a esposa de Isaque. Pensar nessa história nos faz ver as coisas de uma forma diferente.

Andressa Pécora – 17/08/2016

Pseudo Reformados

Ser reformado virou moda. Não se trata mais de uma confissão de fé, mas de uma confissão do eu. O calvinismo há muito deixou de ser uma doutrina cristã e passou a ser uma espécie de “acessório pessoal” que se veste quando se quer impressionar alguém. Comprar livros teológicos, que antes era um exercício de adquirir conhecimento, agora não passa de um trampolim para a arrogância e a auto exibição. Os que tais coisas praticam, na sua totalidade, são os que sequer passaram por conversão, mas precipitam-se na presunção de que conhecimento sobre rocha por si só tem poder de salvação enquanto ainda se constrói a casa na areia. Que possamos rever nossas vidas. Se apresentar ao mundo como cristão é tão fácil quanto andar pra frente… mas, será que temos vivido essas verdades que saem da nossa boca? Nossas “ações corretas” são acompanhadas por intenções corretas? E nossas intenções corretas? Resultam em ações corretas? Ou só servem como justificativa para permanecermos no erro? Há muito o que ser analisado, mudado, renunciado… Digo isso primeiramente a mim mesma.
Andressa Pécora – 04/10/2016

Paixões Irracionais

Quando somos acometidos pela paixão, tendemos a aposentar nossa razão e fazer de nosso coração o nosso cérebro. Por consequência, passamos a racionalizar pecados que, quando praticados dentro de um cenário romântico, nos parecem demasiadamente justificáveis.

“Mas eu o amo!”. “Mas nós estamos apaixonados!”… alegamos cegamente, como se o amor fosse um salvo conduto de nossos erros e caprichos. De forma insensata, nós escolhemos “esquecer conveniente e propositadamente” que devemos fidelidade à Deus em todos os aspectos de nossas vidas, e “baixamos a guarda” no que concerne aos nossos princípios. Tudo que até então tínhamos certeza ser pecaminoso, agora dizemos não ser “tão sério assim”. Por estas e outras inúmeras razões é que, quando nos achamos envolvidos em um quase relacionamento com alguém, devemos pôr nossos joelhos no chão e orar. Só Deus é capaz de tirar as escamas de nossos olhos e nos fazer enxergar a realidade através de lentes limpas de toda a fantasia criada pela nossa imaginação e nos libertar da superficialidade de um sentimento egoísta que entende a felicidade individual como um fim em si mesmo e que, como resultado, se preocupa unicamente em suprir as próprias carências emocionais (o que, comumente nos lança em relacionamentos recreativos de curto prazo, sem propósito e anti bíblicos). Com nossas próprias mãos construímos nossa vida sentimental na areia movediça… e nos afundamos nela. Que Deus nos ajude.
Andressa Pécora – 13/11/2016

Nossos Ídolos Chamados Relacionamentos Amorosos

Muitos de nós somos cristãos ortodoxos e fervorosos. Cremos nas doutrinas da Graça, nos 5 pontos do Calvinismo, assistimos 10 sermões do Charles Spurgeon por dia e vamos à igreja todo domingo, religiosamente. Até que aparece alguém no nosso caminho com um rosto bonito e uma personalidade agradável. Não precisa ser verdadeiramente cristão, nos contentamos em ouvir um “acredito em Deus”. Tudo que aprendemos durante anos, a gente joga no lixo e finge que nunca aprendeu. Todos os princípios bíblicos que defendíamos ferrenhamente, são ignorados como se deles nunca tivéssemos ouvido falar. Todos os ideais de santidade e pureza que outrora almejávamos em um relacionamento, agora parecem absurdos, exagerados, sem importância. Em nome do nosso pecado mascarado de amor, nos vestimos de lobos para que possamos suprir as expectativas do nosso (a) companheiro (a). Então, aderimos voluntariamente a todos os hábitos pecaminosos daquele de quem gostamos, pois de outra forma não seria possível conviver, o relacionamento chegaria ao fim. Nos adaptamos ao namorado (a) ímpio (a) para manter acessa a chama da paixão. Como bons idólatras, não podemos deixar nosso ídolo escapar de nossas mãos… e empenhamos esforços para mantê-lo em nossas vidas. À semelhança de soldados que fracassam antes mesmo de irem para a guerra, nós baixamos a guarda; nos rendemos e entregamos nossas armas ao inimigo de nossas almas. Dizemos a nós mesmos em voz baixa:

“Necessito satisfazer a concupiscência da minha carne. Minha alma grita por satisfação pessoal. Pouco importa se estou pecando. Não tenho interesse em analisar o meu relacionamento, a fim de saber se este é bíblico ou reprovável perante Deus, basta que meus sentimentos sejam correspondidos e minhas carências emocionais sejam supridas.” 

Mas, como somos orgulhosos demais para admitirmos que nosso coração nunca desarraigou do mundo e seus prazeres, seguimos usando nossas máscaras de cristãos, pregando dois discursos excludentes entre si, um com nossa vida e outro com nossas palavras. Assim, lemos livros teológicos, acompanhamos bons pregadores, lemos a Bíblia periodicamente e oramos sempre antes de dormir, enquanto conservamos nossos amores impuros, promíscuos e abomináveis perante Deus. Lembremo-nos: ovelha que se veste de lobo nunca foi ovelha. Por isso, analisemos a nós mesmos a fim de sabermos se somos verdadeiramente salvos, ou se até então foi tudo uma farsa.

Andressa Pécora – 02/01/2017

Inventando Nossos Próprios Absolutos

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As diretrizes para a expressão sexual dentro das categorias ordenadas por Deus são claras. Mas nós inventamos nossa própria categoria de relacionamento homem-mulher e então questionamos a falta de direção divina sobre como deveríamos nos portar dentro dessa categoria. Sentindo-nos desamparados em nossos próprios artifícios, tentamos então criar padrões de pureza para esse relacionamento criado pelo homem. Um relacionamento de namoro é mais que apenas um relacionamento com o próximo, nós racionalizamos; assim, certamente, algum nível de expressão sexual é permitido. Contudo, um relacionamento de namoro não está no mesmo nível de um relacionamento conjugal; então, obviamente, o intercurso sexual está de fora. Concluímos, portanto, que os padrões de pureza para um relacionamento de namoro devem estar em algum lugar entre apenas amigos e apenas casados. Mas há uma grande margem entre nenhuma expressão sexual e o intercurso sexual! (E, como vimos no último capítulo, atividade sexual inclui tudo o que precede o intercurso sexual.) Nós inventamos nossa própria categoria de relacionamento e então fizemos nossas próprias regras.

É isto que queremos dizer: a Bíblia silencia sobre os limites sexuais dentro do relacionamento de namoro precisamente porque Deus não vê o relacionamento de namoro como algo distinto do relacionamento com o próximo. Além disso, o silêncio da Bíblia sobre os relacionamentos de namoro não se deve à Bíblia ser silente sobre o namoro porque ele não existia quando a Bíblia foi escrita, como se poderia argumentar sobre carros ou computadores. Ao contrário, o decoro sexual é uma questão a que a Bíblia dá grande atenção. Embora Deus não tenha explicitamente prescrito os meios pelos quais devemos nos mover do relacionamento com o próximo para o relacionamento conjugal (isto é, cortejo, namoro, casamento arranjados), ele claramente prescreveu como espera que todos os homens e mulheres ajam fora do relacionamento conjugal. Longe esteja de nós inventar nossas próprias diretrizes de decoro sexual com base em nossa forma relativamente moderna de conduzir as relações pré-conjugais.

VINCULADO AO RELACIONAMENTO COM O PRÓXIMO

Toda pessoa não casada está vinculada aos padrões de pureza que Deus definiu no relacionamento com o próximo. Esse é um ponto vital, e se você está disposto a reconhecê-lo, mudará toda a sua forma de abordar o sexo oposto. Não estamos sancionados a inventar uma nova categoria de relacionamentos homem-mulher, para então nos afastarmos das diretrizes de Deus no processo. Independentemente de como chamemos a pessoa por quem temos um sentimento (“namorado” ou “namorada”), ainda estamos vinculados às diretrizes de pureza do relacionamento com o próximo. De acordo com a Palavra de Deus, não devemos fazer nada com alguém do sexo oposto que não faríamos com um parente de sangue. Isso esclarece dramaticamente as coisas e dá uma resposta objetiva à pergunta: “Quão longe é longe demais?”.”

Livro “SEXO, NAMORO E RELACIONAMENTOS – UMA NOVA ABORDAGEM” – GERALD HIESTAND E JAY S. THOMAS (EDITORA MONERGISMO)

Trecho retirado do Capítulo 3

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